10 jogadores
Par ou ímpar: Pedro 'Cardozo' e Tó
Equipa 1: Pedro 'Cardozo', Rúben, Vasco, Rodrigo e Pedro Centieiro
Equipa 2: Tó, João, Márcio, Miguel Marques e Gameiro
Resultado: 9-10
Golos: Cardozo 4, Rodrigo 4, Rúben 1; João 4, Márcio 2, Tó 2, Miguel Marques 2
MVP: Rúben
Em mais uma jornada quente do campeonato dos cepos, estreámos o ano e a bola. Esperemos que esta vá parar menos vezes às urtigas.
Apesar da distribuição de equipas algo duvidosa quanto ao equilíbrio, assistiu-se, mais uma vez, a um desafio não só renhido como pleno de emoção e reviravoltas.
Com um cinco superior, a equipa 1 foi a mais forte dentro das 4 linhas. Boas trocas de passes, muita qualidade na transição e muita assertividade nas bolas divididas. Neste capítulo, Rúben destacou-se a um patamar acima dos comuns mortais, registando um sem número de recuperações de bola. Rapidíssimo e com qualidade técnica acima da média, confirmou o excelente momento de forma. Também Vasco esteve irrepreensível a recuperar a posse do esférico, captando com inteligência a intenção dos adversários e soltando a bola imediatamente em passes cheios de veneno que só não resultaram em mais golos por manifesta falta de sorte de alguns companheiros. A somar a estas duas grandes exibições, vimos dois atletas que se transfiguraram perante as adversidades e pequenas escaramuças que iam acontecendo: Pedro 'Cardozo' e Rodrigo melhoraram significativamente o seu jogo aproveitando essas descargas de adrenalina. O Rodrigo coroou mesmo esse fenómeno com um golaço de se lhe tirar o chapéu. Um tiro potente do meio da rua, praticamente ao ângulo, foi aquilo a que se chama um ponto de exclamação na partida. Centieiro também ajudou, parecendo estar mais rápido e desenvolto do que o costume. Em suma, nenhum jogador da equipa 1 jogou mal.
Na equipa 2, Márcio tentou orientar com a sua voz de comando natural um conjunto desarticulado em que quando se tapava a cabeça, destapava-se os pés (o Gameiro ouviu berros o jogo todo). Se é subjectivo afirmar que o seu método possa não ter sido o melhor, é objectivo dizer que não foi eficaz. Resultou numa dose de nervos acrescida e a insegurança dominou a defesa da sua equipa do princípio ao fim do jogo. Também esteve particularmente infeliz nos passes longos. A sua elegância veio ao de cima quando trocou com sucesso a bola com o João e o Tó já numa fase adiantada da partida, quando a sua equipa vencia por um. O Tó e o João tentaram combinar, e sempre que conseguiram o resultado foi golo. Mas a dinâmica não durou mais que nos primeiros 20 minutos, e o jogo parecia condenado. O Tó merece o troféu "não atirar a toalha ao chão", assumindo-se como o mais inconformado da equipa. O João destaca-se pelo "poker" conquistado, mas podia ter feito mais porque se deu demasiado à marcação. O Miguel Marques esteve muito irregular, ora movendo-se bem e conquistando bolas e faltas, ora deixando a bola fugir por debaixo do pé... Já o Gameiro, entregou-se ao jogo como habitualmente, apesar de estar adoentado, foi pena ter perdido tantas bolas e ter falhado muito no posicionamento defensivo.
A etapa final foi absolutamente vertiginosa. A ganhar por 2, a equipa 1 parecia solidamente agarrada à vitória, com o relógio a aproximar-se dos "90" minutos. Mas a equipa 2 foi buscar coração onde já não havia esperança e pulmão onde já não havia fôlego, e rubricou um golpe de teatro digno do Pomarinho FC. Conquistou o empate de rajada, lançando-se de forma louca ao ataque e tendo a sorte de não sofrer...muitos, porque um entrou. Perdendo por um, voltou a empatar e aí rebentou fisicamente (se é que não tinha rebentado já). Os "senhores que se seguem" iam fazendo pressão para entrar em campo, todos sabiam que estava na hora. O Miguel Marques recebe a bola na linha, finta o Rodrigo com classe, adianta o esférico e sofre falta do touro enraivecido, pelas costas. A equipa 1 posiciona-se defensivamente. Os corpos estão lá, as cabeças não. E é aí que o Tó pega na bola, coloca-a no chão, toca curto para o centro do terreno, de onde o João desfere um potente remate à "gaveta", sem hipóteses para o guardião Centieiro. A seguir, apito final.
A equipa mais concentrada em campo sofreu um rude golpe num dos poucos momentos em que se alheou do jogo. A equipa mais atabalhoada revelou o oportunismo letal na altura certa: o fim.
Joga bonito.
JC